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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Você sabe porque setembro é o Mês da Bíblia?

O mês de setembro, para nós católicos do Brasil é o mês dedicado à Bíblia, isso desde 1971. Mas desde 1947, se comemora o Dia da Bíblia no ultimo domingo de setembro. O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu em 340 e faleceu em 420 dC).
São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja. Hoje a Bíblia é o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e está em quase todas as casas, talvez nem fazemos ideia, mas a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade.
A Bíblia – Palavra de Deus – é o fruto da comunicação entre Deus que se revela e a pessoa que acolhe e responde à revelação. Por isso a Bíblia é formada por histórias de um povo, o Povo de Deus, que teve o dom de interpretar sua realidade à luz da presença de Deus e compreender que a vida é um projeto de amor que parte de Deus e volta para Ele.
Nesse mês da Bíblia somos convidados a estudar e refletir sobre esse maravilhoso livro que têm tanto a nos revelar e instruir.

                      

                                                  fonte:          https://blog.cancaonova.com/cuiaba/mes-da-biblia/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Mensagem de Natal

É uma noite de glória, a glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós hoje em todo o mundo. É uma noite de alegria, porque, desde agora e para sempre, Deus, o Eterno, o Infinito, é Deus conosco: não está longe, não temos de O procurar nas órbitas celestes nem em qualquer ideia mística; está próximo, fez-Se homem e não Se separará jamais desta nossa humanidade que assumiu. É uma noite de luz: a luz, profetizada por Isaías e que havia de iluminar quem caminha em terra tenebrosa (cf. 9, 1), manifestou-se e envolveu os pastores de Belém (cf. Lc 2, 9).
Os pastores descobrem, pura e simplesmente, que «um menino nasceu para nós» (Is 9, 5) e compreendem que toda aquela glória, toda aquela alegria, toda aquela luz se concentram num único ponto, no sinal que o anjo lhes indicou: «Encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura» (Lc 2, 12). Este é o sinal de sempre para encontrar Jesus; não só então, mas hoje também. Se queremos festejar o verdadeiro Natal, contemplemos este sinal: a simplicidade frágil dum pequenino recém-nascido, a mansidão que demonstra no estar deitado, a ternura afetuosa das fraldas que O envolvem. Ali está Deus....
E, para O encontrar, é preciso ir aonde Ele está: é preciso inclinar-se, abaixar-se, fazer-se pequenino. O Menino que nasce interpela-nos: chama-nos a deixar as ilusões do efêmero para ir ao essencial, renunciar às nossas pretensões insaciáveis, abandonar aquela perene insatisfação e a tristeza por algo que sempre nos faltará. Far-nos-á bem deixar estas coisas, para reencontrar na simplicidade de Deus-Menino a paz, a alegria, o sentido da vida. O mistério do Natal, que é luz e alegria, interpela e mexe conosco, porque é um mistério de esperança.
Aproximemo-nos de Deus que Se faz próximo, detenhamo-nos a olhar o presépio, imaginemos o nascimento de Jesus: a luz e a paz, a pobreza extrema e a rejeição. Entremos no verdadeiro Natal com os pastores, levemos a Jesus aquilo que somos, as nossas marginalizações, as nossas feridas não curadas. Assim, em Jesus, saborearemos o verdadeiro espírito do Natal: a beleza de ser amado por Deus. Com Maria e José, paremos diante da manjedoura, diante de Jesus que nasce como pão para a minha vida. Contemplando o seu amor humilde e infinito, digamos-Lhe obrigado: Obrigado, porque fizestes tudo isto por mim.

                                     Trechos da homilia do Papa Francisco na Missa de Natal - 24/12/16


Nós Servos do Preciosíssimo Sangue, desejamos nossos Votos de um Feliz e Santo na Paz, que o menino Deus possa nascer em nossos corações, e nos revigorar, fazendo-nos pessoas novas. 
Que o menino Deus nos Abençoe.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Sagrado Coração: mais que uma devoção, uma espiritualidade


Sagrado Coração: mais que uma devoção, uma espiritualidade
Na Bíblia, há uma dedicação do povo às coisas do coração. “Tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne” (Ezequiel 11,19). “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas”. (Mateus 11, 28-29)
O coração de Jesus é o coração manso e humilde de Deus, colocado dentro do nosso peito. O Senhor não é só uma inteligência suprema, Ele é coração, e o coração de Jesus é a manifestação visível do amor do Pai.
Sagrado Coração, mais que uma espiritualidade, uma devoção
Ao longo desses dois mil anos de história da Igreja, os santos padres desenvolveram a espiritualidade do coração de Jesus. Mais tarde, Santa Maria Margarida, no século XVII, teve a imagem do coração de Cristo para fora do peito, coroado de espinhos e inflamado de amor. Essa imagem acabou fazendo história e aprofundando essa espiritualidade. A Festa do Sagrado Coração de Jesus foi oficializada pela Igreja; a primeira sexta do mês é dedicada a ele.
Os efeitos da consagração ao Sagrado Coração de Jesus estão diretamente ligados às promessas de Jesus feitas a Santa Maria Margarida, as quais foram propagadas doze, porém são inúmeras. O primeiro grande efeito é a experiência do amor de Deus, de quem somos filhos amados. E esse amor não nos abandona; pelo contrário, nos acompanha sempre. Jesus, quando voltou para o Pai, deixou-nos uma grande promessa: “Estarei convosco todos os dias até o fim”. Essa é a certeza: Deus está conosco.
O Senhor é um colo, o Sagrado Coração de Jesus é um refúgio, uma rocha protetora, diz uma das promessas. Ele não é legislador, mas pastor que pega Sua ovelha no colo e cuida de suas feridas.
O Sagrado Coração de Jesus é mais que uma devoção, é uma espiritualidade. É a espiritualidade da ternura, do coração, é a mística do afeto. É reconhecer que Deus é mais que Pai, Ele é Pai e Mãe, e tem um colo para nós. A grande dica para aproveitar bem toda essa espiritualidade é deixar-se adormecer no coração d’Ele. Há momentos em que precisamos repousar no coração do Senhor, seguir o conselho de Jesus que nos diz: “Vinde a mim vós todos que estais cansados e eu vos aliviarei”. Deixe-se repousar no coração de Deus.
Pe. Joãozinho, SCJ
Fonte: site Canção nova

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Como combater as distrações durante a oração?


Embora não seja desejável, a distração é uma realidade na vida de todo cristão. Já se sabe que mesmo a oração feita de maneira distraída possui valor diante de Deus. Contudo, ela não propicia que a pessoa avance na vida de santidade e adentre outras moradas. A luta de todos deve ser, portanto, para combater a distração e assim auferir dela a refeição da alma, como ensina Santa Teresa d'Ávila.
Em primeiro lugar é preciso definir o que é essa 'atenção' que se quer alcançar. Santo Tomás de Aquino ensina que existem três tipos: a. a atenção das palavras; b. a atenção dos sentidos; c. a atenção da presença. A primeira é quando a pessoa pronuncia as palavras com alguma concentração, mas sem se deter no que elas significam. Quando isso acontece, ou seja, quando a pessoa medita no sentido do que está dizendo, é evidente que está no segundo caso. Apesar de já ter sido grande o progresso ainda existe uma outra distração a ser vencida: a do terceiro caso. É preciso estar atento ao fato de que existe uma presença, existe uma Pessoa com a qual se está falando na oração. Se isso não é percebido, a pessoa ainda está dispersa.
A distração pode ser voluntária ou involuntária, segundo o frade dominicano Frei Antonio Royo Marin, em sua obra Teologia de la perfeccion cristiana". A distração involuntária pode ser causada pela própria índole (temperamento) do indivíduo, por fadiga mental, por culpa do diretor espiritual (que pode determinar um tipo de oração para a qual a pessoa ainda não está preparada) e, por fim, por culpa do demônio (nesse caso, o remédio é o uso de água benta durante os momentos de oração).
As causas voluntárias da distração, segundo Frei Antonio Royo Marin, são: a. a falta de uma preparação próxima (rezar sem preparar o local, sem determinar o tempo, não ter postura de oração); b. a falta de preparação remota (quando a pessoa vive uma vida dispersa por culpa pessoal).
O frade ensina o remédio para lutar contra a distração, salientando que é realmente um combate e esse combate também tem o seu mérito diante de Deus. É um meio de santificação também a luta para a concentração. Se as causas são involuntárias o frade explica que é possível livrar-se dos influxos do temperamento com o uso de alguns auxílios: ler e falar em voz alta, rezar por escrito, fazer atos de devoção (fixar os olhos no sacrário, em uma imagem, etc.), escolher matérias de oração mais concretas e menos abstratas, propiciando o entendimento e a concentração, humilhar-se diante de Deus, quantas vezes forem necessárias.
Para as distrações voluntárias os remédios são: a preparação próxima (preparar o local, determinar o tempo e adotar uma postura), e a preparação remota (cultivar o silêncio, fugir da curiosidade vã).
O cultivo do silêncio, diz ele, ajuda a 'ouvir' melhor a Deus, faz com que a pessoa se encontre consigo mesma, além disso, produz uma higiene (saúde) psíquica. Já a curiosidade vã leva a pessoa a sair do foco da vida e se não tem foco na vida, terá na oração? Dificilmente.
Tudo isso pode ser resumido em guardar os sentidos, a imaginação e o coração. O homem não é uma lata de lixo que pode ver tudo, ouvir tudo, experimentar tudo e ainda achar que sairá ileso disso tudo. As imagens e os sons armazenados podem se transformar em lixo. Assim, quando a pessoa se põe em oração é impedida por todo esse lixo que está entulhando o seu coração.
A concentração na oração é uma luta, uma batalha. Hoje foram oferecidas algumas dicas, alguma armas para ajudar nesse combate. Mas, mesmo lutando, seja humilde, lembre-se que a oração com distração também tem valor. Não desista de lutar. Deus aprecia todo o esforço. Com a luta o homem pode se tornar mais forte, mais santo, mais filho de Deus.
Pe. Paulo Ricardo

sábado, 22 de agosto de 2015

Leigo, você tem uma vocação!

Leigo, você tem uma vocação!

Alguém já disse que “a primeira vitória de um homem foi ter nascido”.
De fato, esta é a maior graça. Como disse São Paulo, “Deus nos desejou em Cristo, antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1, 4). Logo, esta é a nossa primeira e fundamental vocação. Vivermos a vida para Deus, sermos santos aos seus olhos. O mesmo São Paulo completava exortando os efésios a que levassem “uma vida digna da vocação à qual fostes chamados” (Ef 4,1).
O nosso Catecismo diz que “o homem é, por natureza e por vocação, um ser religioso” (§ 44).
Vocação leiga
O Papa João Paulo II disse certa vez: “Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano” (L’Osservatore Romano, 7/4/96).
“A santidade é a plenitude da vida” (LR, N.20,18/5/96).
Os santos foram os mais felizes e os que atingiram a plenitude da vocação humana segundo os desígnios de Deus. Mas a busca da santidade não está desatrelada da vida cotidiana; muito ao contrário, é inserida no dia a dia que ela se realiza. É no mundo do trabalho, da família, da ciência, da política etc., que a vocação deve se realizar, de modo especial para nós leigos. Jesus foi claro na sua oração sacerdotal: “Pai, não peço que os tire do mundo, mas que os livre do mal” (Jo 17,15).
Quando realizamos o desejo de Deus, somos felizes, porque nos sentimos realizados e úteis. Então, é fundamental descobrir a nossa vocação. Quando você a realiza, dá sentido a sua vida. Cada pessoa é chamada (vocação vem do latim vocare = “chamar”) por Deus a ter uma vida realizada e plena.
É por meio do trabalho – qualquer que seja ele – que o homem é chamado a cooperar com o Criador na obra da criação. Deus nos deu essa honra: ajudá-Lo a criar o mundo, até que este seja divinizado. Mesmo tendo se tornado penoso após o pecado original, o trabalho continua uma bênção. Por meio dele, o homem se santifica e santifica o mundo. A sua importância ficou evidente quando o Filho do Homem assumiu, na terra, por longos anos, a profissão de carpinteiro. Jesus quis nos mostrar a importância salvífica do trabalho.
O nosso Catecismo ensina que “o trabalho não é uma penalidade, mas sim a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC, nº 378).
Quando Paulo VI, em 1964, visitou Israel, diante da carpintaria de Nazaré, falando da vida oculta de Jesus, na família de Nazaré, disse: “Uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano” (05/01/1964). Portanto, é necessário que cada um, com os talentos que Deus lhe deu, escolha e viva bem a sua profissão, e realize a sua vocação. A primeira maneira de amar bem é trabalhar bem, pois assim estaremos servindo bem os outros. O Papa Paulo VI disse que “o amor é a vocação fundamental do ser humano” (Persona humana, 7).
Deus deu a cada um de nós talentos individuais para que possamos desempenhar uma atividade necessária para os outros. Cabe a cada um identificar esses dons e seguir a profissão para a qual tem aptidão e interesse.
Sabemos o quanto Jesus enfatizou a importância de não enterrar os talentos que Deus nos deu. Ele nos pedirá contas do que fizemos com eles.
Na Carta aos Colossenses, São Paulo diz algo fundamental sobre isso:
“Tudo quanto fizerdes, por palavra ou obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”.“Tudo o que fizerdes, fazei de bom coração, para o Senhor, não para os homens, certos de que recebereis a recompensa das mãos do Senhor. Servi a Cristo Senhor” (Col 3,17.23). Isso nos indica que todo trabalho é feito, antes de tudo, para Deus, e lhe damos glória quando o realizamos bem em nossa profissão. Não é somente pelo salário que recebemos ou pela vigilância do chefe que devemos trabalhar bem, mas para o Senhor, que nos dará um “salário eterno”.
Deus e a Igreja precisam que cada um de nós encontre o seu lugar, tanto na sociedade quanto na Igreja, sem desperdiçar a vida, pois isso seria um crime, um pecado.
Ninguém pode se sentir inútil ou desnecessário neste mundo, pois para todos Deus tem uma missão, seja solteiro ou casado. Como disse Michel Quoist em seu livro ‘Construindo o homem e o mundo': “Solteiro ou casado, só o egoísta desperdiça a vida”.
O leigo é chamado a construir o mundo, ser o sal e a luz de Cristo nesta terra. Diz o nosso Catecismo que “é especifico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus. A eles, portanto, cabe, de maneira especial, iluminar e ordenar de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, para que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor.” (n. 898)


Profº Felipe Aquino

fonte: Site Canção Nova

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor




O Sangue de Cristo representa a Sua Vida Humana e Divina, de valor infinito, oferecida à Justiça Divina para o perdão dos pecados de todos os homens, de todos os tempos e lugares.
Quem for baptizado e crer, como disse Jesus, será salvo (Mc 16, 16), pelo Sangue de Cristo.

Em cada Santa Missa, a Igreja renova, presentifica, actualiza e eterniza este Sacrifício de Cristo, pela Redenção da humanidade.
Em média, a cada quatro segundos, em todo o mundo, essa Oferta Divina sobe ao Céu.


O Catecismo da Igreja ensina que, mesmo que o mais santo dos homens tivesse morrido na Cruz [à imitação de Jesus], o seu sacrifício seria insuficientíssimo para resgatar a humanidade das garras do Demónio.
Portanto, era preciso um sacrifício humano, mas de valor infinito.
Pelo que só Deus poderia oferecer tal Sacrifício.


Então, o Verbo Divino dignou-Se assumir a nossa natureza humana, para oferecer a Deus um Sacrifício de valor infinito.
A Majestade de Deus é infinita, pelo que foi ofendida, infinitamente, pelos pecados dos homens.
Logo, só um Sacrifício de valor infinito poderia restabelecer a paz (e a reconciliação), entre a humanidade e Deus.


“Mas eis aqui uma prova brilhante do Amor de Deus por todos nós:
Quando éramos pecadores [ainda não resgatados], Cristo morreu por nós.
Portanto, sobretudo agora que estamos justificados pelo Seu Sangue, seremos por Ele salvos da ira” 
(Rm 5, 8-9).


São Pedro ensina que fomos resgatados pelo Sangue do Cordeiro de Deus, mediante “a aspersão do Seu Sangue” (1 Pe 1, 2).
“Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo Precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e sem defeito algum, aquele que foi Predestinado antes da Criação do mundo” (1 Pe 1, 19).


Ao despedir-se dos bispos de Éfeso, entre lágrimas, S. Paulo pede que cuidem do rebanho de Deus contra os hereges, que já surgiam naquele tempo, porque este rebanho foi“adquirido com o Seu Sangue” (Act 20, 28)
.

Para os judeus, a vida estava no sangue (cf. Lv 11, 17), e por isso eles não tomavam o sangue dos animais.
Na verdade, a vida está na alma e não no sangue; mas para eles o sangue tinha esse significado.

É interessante notar que por altura da Páscoa, representando a saída do povo judeu do Egipto, nessa noite da morte dos primogénitos, Deus mandou ao seu povo que assinalasse, com o sangue dum cordeiro imolado, os umbrais das portas, a fim de que o Anjo exterminador não causasse a morte dos primogénitos dessas famílias.


Esse sangue do cordeiro simbolizava e prefigurava o Sangue de Cristo, da Nova e Eterna Aliança, que um dia seria celebrada no Calvário.
É por isso que S. João Baptista, o Precursor de Jesus, ao anunciá-Lo aos judeus, vai dizer:
“Este é o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 19).
É a Missão de Cristo ser o Cordeiro de Deus, imolado por amor dos homens.


É este Sangue de Cristo que nos purifica de todos os pecados:
“Se, porém, andarmos na Luz, como Ele mesmo está na Luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Filho de Deus, purificar-nos-á de todo o pecado” (1 Jo 1, 7).


“Jesus Cristo, Testemunha fiel, Primogénito dentre os mortos e Soberano dos reis da terra, Aquele que nos ama, que nos lavou dos nossos pecados no Seu Sangue, e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e Seu Pai, Glória e Poder pelos séculos dos séculos! Amém.” (Ap 1, 5)


“Cantavam um cântico novo, dizendo:
Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço do Teu Sangue, os homens de todas tribos, línguas, povos e raças; e deles fizeste para o nosso Deus um reino de sacerdotes, que reinam sobre a Terra” 
(Ap 5, 9-10).


Os Mártires derramaram o seu sangue por Cristo, pela força do Sangue de Cristo:
“Mas estes venceram por causa do Sangue do Cordeiro e do Seu eloquente Testemunho. Desprezaram a vida, ao ponto de aceitarem a morte” (Ap 12, 11).
O Apocalipse mostra-nos ainda que os Santos lavaram as suas vestes (as suas almas) no Sangue de Cristo:
“Esses são os sobreviventes da grande tribulação, pois lavaram as suas vestes e purificaram-nas no Sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14).


Hoje, esse Sangue Redentor de Cristo está à nossa disposição, de muitas maneiras.
Em primeiro lugar e pela Fé, somos justificados nesse Sangue, como ensina S. Paulo:“Eis aqui uma prova brilhante do Amor de Deus por nós:
Quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós; e portanto agora, que estamos justificados pelo Seu Sangue, seremos por Ele salvos da ira”
 (Rm 5, 8-9).


Ele está à nossa disposição também no Sacramento da Confissão.
Pelo Ministério da Igreja e dos sacerdotes, Jesus Cristo perdoa-nos os pecados e lava a nossa alma com o Seu Precioso Sangue.
Infelizmente, muitos católicos ainda não entenderam a profundidade do Sacramento da Reconciliação, pois fogem dele por falta de fé e de humildade, ou então confessam-se mal.
O Sangue de Cristo perdoa os nossos pecados na Confissão bem feita, curando também as nossas enfermidades espirituais e psicológicas.


Este Sangue está presente na Sagrada Eucaristia, que é verdadeiramente o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo.
Na Sagrada Comunhão, podemos ser lavados e inebriados pelo Sangue Redentor do Cordeiro sem mancha, que veio tirar os pecados das nossas almas.


Mas é preciso parar e meditar, para adorá-Lo no Seu Corpo, dado a nós gratuitamente.
Infelizmente, muitos ainda comungam mal, sem estarem na Graça de Deus, ou à pressa, sem Acção de Graças, sem deixarem que o Sangue Real e Divino lave e purifique a alma pecadora e doente.






Autor: Prof. Felipe Aquino

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O que acontecerá se pararmos de rezar?

Quando deixamos de rezar, acontece uma grande mudança em nosso interior
Na verdade, eu nunca havia parado para pensar sobre isso, talvez por saber o bem que a oração me proporciona e também por ter, desde criança, aquela discreta lembrança que “Deus castiga se não rezamos”. A feliz descoberta que tenho feito, a cada dia, é que, se eu parar de rezar, Deus não vai parar de me amar, pois o amor d’Ele é incondicional. Ele não ama porque é amado, antes ama, porque é o próprio amor.
O que acontecerá se pararmos de rezar?Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Você poderia me perguntar: “Então, por que a Palavra de Deus nos ensina: ‘Orai sem cessar em todas as circunstâcias?'” (Tes. 5). É que a oração purifica o coração de todos os afetos desordenados ligados às coisas terrenas e passageiras e nos aproxima de Deus, de quem nossa alma tem sede e saudade, mesmo que ainda não tenhamos consciência disso.
Compreendi melhor o valor da oração ouvindo a história que partilho também com você: “Conta-se que, numa floresta, existia uma ermida antiga, abandonada e dedicada a São Roque. Todos os anos, pela passagem de sua festa, vinha o piedoso sacristão da aldeia vizinha, que varria e enfeitava o pequeno santuário com simplicidade e beleza. Na véspera da festa, o velho sino da ermida era tocado fortemente para convidar os moradores das redondezas a participar dos festejos. No alto da torrezinha, o sino havia guardado um ano de silêncio e solidão. Aves e insetos noturnos encontraram ali um abrigo tranquilo, onde se aninharam confortavelmente dominando o espaço. Porém, bastava o primeiro repicar do sino e todos saíam esvoaçados em busca de outras paragens.”
E isso nos faz compreender o que acontece em nosso interior. Quando deixamos de rezar, bem depressa, ídolos ocultos começam a se acomodar nos recantos obscuros da nossa alma e tentam aí fazer sua morada. A cobiça, o orgulho a autossuficiência, a avareza, a vaidade e tantas outras mazelas se aninham em nosso ser causando desânimo, tristeza e cada vez mais nos distanciando da felicidade que Deus quer nos proporcionar. Eu mesma sou testemunha disso. Muitas vezes, percebo que estou agitada, impaciente e intolerante até comigo mesma. Então, é como se um sininho discreto começasse a tocar lá no meu interior avisando que está faltando oração. Quando isso acontece, procuro imediatamente retomar com mais afinco minha espiritualidade e, sem demora, também percebo os frutos. É que quando tomamos ânimo e fazemos repicarem os sinos da oração em nossa vida, expulsamos de nosso interior tudo o que é contrário a Deus e nossa alma fica preparada para recebê-Lo. Como Ele é a própria luz, entra em nossa alma e dissipa toda espécie de trevas, devolvendo-nos a paz e a serenidade que tanto queremos.
Então, façamos ressoar o sino da oração em nossa vida, com coragem e disposição hoje mesmo! A reza do terço, a leitura orante da Palavra de Deus, a confissão dos pecados e a participação na Santa Missa podem ser ótimas dicas para recomeçar. E lembre-se: mesmo que você pare de rezar, Deus vai continuar amando-o. Mas se você rezar, poderá experimentar este amor, e isso fará toda diferença!
 

Dijanira Silva- Missionaria da Comunidade Católica Canção Nova

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Reflexão-Vocação Religiosa

Vida Religiosa Consagrada: presença do Reino

Qual a finalidade da Vida Religiosa Consagrada, como presença do Reino? Antes de tudo, sabemos que o chamado é uma iniciativa de Deus a cada pessoa. Deus que chama a uma íntima comunhão com Ele, convidando-nos a conformar nossa vida à do Cristo sob a luz do Espírito Santo. Portanto, a finalidade principal da vida religiosa consagrada é a vivência da primeira consagração na aliança do sacramento do batismo, do qual todos os cristãos leigos também assumem igualmente.
O que diferencia então os religiosos consagrados dos outros cristãos leigos, sendo que todos pelo batismo são consagrados a Deus? O deve diferenciar esta consagração é a forma pela qual vivem os religiosos consagrados. Estes, por sua vez, optam pela consagração específica mediante a vivência dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. Ou seja, vivem o seu batismo de forma radical prometendo manter na aliança batismal o amor a Deus e ao próximo, sendo presença do Reino de Deus. Esta presença do reino de Deus é assumida de maneira radical e profética. Viver a aliança batismal de forma radical era o que queriam os “padres do deserto” e as primeiras comunidades cristãs, originando-se daí a vida religiosa consagrada.
Ao longo dos séculos, foram muitos os homens e as mulheres que se tornaram bons operários e boas operárias para o Reino de Deus, sendo presença e testemunho. Ainda hoje, são muitos os que optam pela consagração específica mediante a vivência dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência. Esta consagração à vida religiosa, adquire seu pleno significado quando vivida na comunidade eclesial. O carisma da vida religiosa consagrada é essencialmente eclesial, sendo no interior da Igreja sinal e memória, testemunho e profecia dos valores centrais do Evangelho e do Reino. Os religiosos consagrados, por sua vez, “em fidelidade criativa continuam escutando a Deus onde a vida grita” (cf. Plano Global da CLAR, p. 03).
Para melhor compreender a finalidade da vida religiosa consagrada, como presença do Reino, podemos defini-la por um tríplice eixo:
1) A consagração (encontro com Deus): Os religiosos tem necessidade todos os dias de momentos de intimidade com Deus, para purificar suas motivações, para se reabastecerem na fé . Esta intimidade ou amizade com Deus deve ser como que um contínuo ato litúrgico, viver em Deus e por Deus através da consagração. Isto significa pertencer totalmente a Deus. É Deus que incide na vida de cada pessoa consagrada e estabelece com ela uma relação dialógica. A consequência desta relação através do diálogo de Deus vai transformando a história da pessoa consagrada. “Neste diálogo com Deus, compreendemo-nos a nós mesmos e encontramos resposta para as perguntas mais profundas que habitam no nosso coração” (cf. Verbum Domini, nº 23). Em contrapartida a pessoa é convocada a amar a Deus de “todo coração, com toda alma, com todo entendimento e com toda força” (Mc 12, 31); e amar o próximo como a si mesmo (Mc 12, 28-34). Quando falta esta intimidade e amizade com Deus, o religioso ou a religiosa vai perdendo todo o sentido de sua consagração e a comunhão com Deus, com os outros e consigo mesmo vai sendo deteriorada, vai morrendo. É a morte e a deteriorização do “corpo”. É necessário, pois, permitir que o Senhor entre em nossa “casa interior”, na Casa de Betânia: “Senhor, se estivesses aqui meu irmão não teria morrido!” (Jo 11, 1-16).
2) A comunhão (viver em comunidade): Os religiosos, operários e operárias, se colocam a serviço da grande messe oferecendo tudo o que são e fazem. No dia-a-dia estão inseridos na comunidade e na Igreja local. São presenças vivas do Reino na vida fraterna em comunidade e em comunhão com a Igreja. Não se pode esquecer que o “ser” é que dá sentido ao “fazer”. Para tanto, os religiosos são aqueles homens e mulheres que vivem em comunidade e a experiência comunitária transborda para a ‘Diakonia’, para o serviço do anúncio. O anúncio da comunhão de Deus com a humanidade e das pessoas entre si em Jesus Cristo. Este anúncio inclui abrir horizontes no tempo e no espaço. Esta é a missão dos religiosos consagrados: viver em comunidade; servir ao anúncio da Boa-Nova aos pobres e excluídos da sociedade; serem imagens vivas de comunhão. Esta comunhão reconstrói a comunidade no amor. A comunidade “reconstruída no amor, exala o bom perfume que enche toda a casa” (Jo 12,3).
3) A missão (envio a todos). A missão é para a diaconia, para o serviço do Reino. Ao longo dos séculos a vida religiosa consagrada foi, no seio da Igreja, sinal e presença, testemunho vivo de oração e de caridade, de contemplação e de apostolado. Sabemos, pois, que o 
testemunho aproxima os religiosos consagrados ao modelo da profecia bíblica. Isto leva radicalmente ao compromisso com os pobres, na missão. A missão dos religiosos consagrados traz alguns aspectos específicos, conforme já mencionamos acima como, por exemplo, o anúncio da Boa-Nova, da comunhão. Na missão, os religiosos, além do aspecto do anúncio, trazem também o aspecto da denúncia das injustiças que são frutos do pecado pessoal e social. E, não poderiam faltar mais dois aspectos da missão dos religiosos consagrados desde a centralidade da pessoa de Jesus Cristo. O primeiro é o aspecto do discernimento dos “sinais dos tempos”, ou seja, viver a mística dos “olhos e ouvidos abertos”. A vigilância e a prontidão evangélicas (Lc 32-48). Trata-se de descobrir a vontade de Deus num tempo de “mudanças de época”, “tempos desnorteadores” (cf. DGAE, 2011-2015, nº 20, CNBB). O segundo e último aspecto é o acompanhar, ou seja, colocar os pés no caminho, ser presença do Reino de Deus na vida de todos os seres humanos, sem exclusões.

Subsídio da CNBB para o mês vocacional 2013

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vocação à família

                               Vocação à família



Vocação é um chamado. Exige uma resposta. Na vida cristã, a vocação à família é um dom inestimável. A família é o berço de todas as outras vocações. A família é o lugar onde se desenvolvem nos seres humanos os seus relacionamentos mais significativos e especiais.

É instituição divina desde a criação do mundo. "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher e os dois já não serão mais duas, mas uma só carne". A união entre o homem e a mulher é fundamental e querida por Deus. Os filhos são a bênção do casamento, que trás em seu bojo os sinais da fidelidade, da fecundidade e da eternidade.

Os sagrados laços do matrimônio despertam no homem e na mulher a vocação ao amor, dada por Deus mesmo a todo ser humano. Ele que é amor nos mandou amar como Ele mesmo. Criados à sua imagem e semelhança não poderia, de fato, ser diferente. O parágrafo 1604 do Catecismo da Igreja Católica chama nossa atenção para este dado importante do amor: "Deus que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata do ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do criador, que é amor. E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: "Deus os abençoou e disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)".

Que o homem e a mulher foram criados um para o outro não se discute. Assim é afirmado na Sagrada Escritura: "não é bom que o homem esteja só". Daí o Senhor lhe faz uma companheira semelhante: "carne de sua carne, ossos de seus ossos".

O matrimônio é a caracterização do início de uma nova família. Já não são mais dois, mas uma só carne. Além de ser uma instituição divina é também de índole natural. A união entre o homem e a mulher garante as gerações da prole ao longo dos anos. O Matrimônio é, portanto, uma aliança onde homem e mulher se unem pela vida toda, tendo em vista o bem de ambos e a geração e educação dos filhos. Foi o próprio Jesus que elevou esta união à dignidade de sacramento.

Muitas ameaças do mundo moderno hoje colocam em questão o verdadeiro sentido do matrimônio. Precisamos sempre mais resgatar o valor da família. O Beato Papa João Paulo II chama a família de "santuário da vida". Ao longo de todos os séculos a Igreja sempre trabalhou e zelou pela promoção da família e de seus valores. Afinal, ela tem consciência de que esta é de fundamental importância para o bem-estar de toda a humanidade. Quanto mais nossas famílias se estruturarem devidamente e sobre os alicerces da fé e da verdade, mais o mundo tomará consciência de sua verdadeira identidade e missão. O Concílio Vaticano II, no documento Gaudium et spes, ressalta que "a salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar".

A família é a vocação natural dos seres humanos. As demais vocações são específicas e especiais e não poderiam existir não fossem famílias generosas a oferecer seus membros em vista de um bem comum. A família não exprime sua importância apenas entre seus membros, mas suas atitudes refletem sobre a sociedade como um todo, sem dúvida. Daí a afirmação do Concílio da necessidade da família na salvação de toda a humanidade.

No sacramento do matrimônio os noivos se aceitam um ao outro, unindo-se à oferenda de Cristo à sua Igreja. Assim como Cristo amou a Igreja, os cônjuges devem se amar também. São os esposos que se conferem mutuamente o sacramento, expressando diante de toda a Igreja ali reunida o seu consentimento. O sacerdote testemunha o consentimento que é dado um ao outro. A bênção sacramental é importante na celebração. O Catecismo da Igreja Católica no §1624 ressalta este aspecto de modo claríssimo: "as diversas liturgias são ricas em orações de bênção sobre o novo casal, especialmente sobre a esposa. Na epiclese deste sacramento, os esposos recebem o Espírito Santo como comunhão de amor de Cristo e da Igreja. É ele o selo de sua aliança, a fonte que incessantemente oferece seu amor, a força em que se renovará a fidelidade dos esposos. Toda esta configuração do sacramento está para confirmar e ressaltar que o matrimônio não é uma celebração exclusiva ou particular, mas um ato eclesial: isto se manifesta claramente na presença do ministro da Igreja, bem como dos presentes, as testemunhas. O casamento é um ato litúrgico, cria direitos e deveres na Igreja, entre esposos e filhos; é um estado de vida na comunidade de fé e sua celebração tem caráter público.

Uma vez que os noivos se deram em casamento está constituída a nova família. Os filhos são frutos desse amor. O sacramento é o selo de Deus na vida do casal. Jamais pode ser dissolvido. Uma especial graça concedida ao casal é a graça que é o próprio Cristo: na união conjugal um deve ajudar o outro a se santificar, estando sempre unidos um ao outro e na aceitação e educação dos filhos. O amor que os une deve ser delicado e fecundo, sincero e firmado no temor de Deus.

O amor conjugal exige a indissolubilidade, a fidelidade e a fecundidade. Sinaliza o amor de Cristo com sua Igreja. Este amor é indissolúvel, pois nada pode romper, nenhuma miséria humana e nenhuma outra situação seria capaz de dissolver este amor; é fiel, porque dura de geração em geração, mesmo se a humanidade, no mal uso de sua liberdade, afastar-se de Deus e de seus santos ensinamentos; e fecundo, porque, como na vida do casal os filhos são frutos do seu amor, na Igreja Cristo oferece a vida aos que renasceram na água do batismo e com ele foram sepultados e irromperam tão logo vitoriosos e ressuscitados.

Jesus nasceu em uma família: a sagrada família de Nazaré. Filho de Maria e José. A igreja é a família de Deus. Nela todos são chamados a servir ao Deus vivo e verdadeiro: "Crê no Senhor Jesus e serão salvos tu e os de tua família". Nosso tempo urge que as famílias se convertam na fé e animem o mundo com a força que vem do próprio Deus. Ainda o Catecismo da Igreja Católica, no § 1656, ressalta esta necessidade: "Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial como lares de fé viva e radiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família usando uma expressão antiga, de "igreja doméstica". É no seio da família que os pais são para os filhos, pela palavra e exemplo, os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada".

O lar da família é o espaço privilegiado da educação, do cuidado e da ternura; é a escola da vida e da fé. Os pais são, portanto, o primeiro catequista de seus filhos. Cabe-lhes introduzir sua prole no caminho cristão e acompanhar todo o seu desenvolvimento nas diversas etapas do caminho da fé. É lá, também, o celeiro de vocações e de um suficiente e necessário desenvolvimento e enriquecimento da pessoa humana. As melhores e mais importantes lições vêm de casa. Ninguém deve estar privado da família. Assim também nossas igrejas, comunidades paroquiais devem ser casa e família para todos, especialmente para os mais cansados, excluídos e enfraquecidos. Seguindo a orientação de São Paulo, na carta aos Efésios, que os maridos amem suas esposas como Cristo amou a Igreja. Grandioso mistério de amor de um Deus que se revela e se deixa conhecer. 

“Que a família comece e termine sabendo onde vai, que o homem carregue nos ombros a graça de um pai; que a mulher seja um céu de ternura, aconchego e calor e que os filhos conheçam a força que brota do amor” (Pe. Zezinho)!

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

domingo, 2 de agosto de 2015

Reflexão- Vocação Sacerdotal

                                       VOCAÇÃO SACERDOTAL



A palavra vocação vem nos alertar para um chamado que Deus faz a todos os seus filhos. Um chamado exige alguém que chame e alguém que corresponda.
A vida de todo ser humano é um dom de Deus.“Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus (Ef 2,10). Existimos, vivemos, pensamos, amamos, nos alegramos, sofremos, nos relacionamos, conquistamos nossa liberdade diante do mundo e diante de nós mesmos. Somos criaturas de Deus. Não existe homem que não seja convidado ou chamado por Deus a viver na liberdade, que possa conviver e servir a Deus através do relacionamento fraternal com os outros.
Falar de vocação é sempre algo necessário e desafiador. É necessário porque Deus nunca deixa de chamar pessoas para compartilhar sua intimidade e desafiador porque muitas vezes não damos a devia atenção a esta voz que nos chama.
Deus continua sempre o mesmo e não se cansa de demonstrar sua bondade. Mas no mundo em que vivemos se torna extremamente difícil perceber esta presença e o chamado de Deus. Diante de um mundo cheio de possibilidades e oportunidades, facilmente perdemos a direção. No entanto, em meio a todas essas conturbações, Deus age misteriosamente na simplicidade de nosso dia-a-dia. Deus toca no coração das pessoas para que, livremente, elas disponham de seu tempo e de sua vida para colaborar de forma intensa no serviço de salvação do mundo.
Na Igreja, todos somos iguais por razão da vocação em Cristo, porém, possuímos funções diferentes que supõem vocações na e para a comunidade.
A nossa primeira vocação, à qual todos somos chamados, é a de sermos santos como nosso Pai é Santo. Vocação esta que está intimamente ligada à nossa adoção filial por parte de Deus. Nesse sentido, tudo o que fizermos deverá contribuir para a nossa santificação e a dos outros, quer assumindo uma vocação de especial consagração na vida da Igreja, quer sendo presença dela no mundo perante as várias profissões.
Diante da dimensão do chamado, existem muitos caminhos diferentes: a vocação cristã, de filho, batizado; a vocação laical, ao matrimônio ou a ser solteiro; a vocação ao ministério ordenado, ser sacerdote; e a vocação à vida consagrada, ser religioso.
Para responder ao chamado de Deus não é necessário ser perfeito. É preciso abrir o coração e deixar-se envolver pela graça de Deus que exigirá de nossa parte uma constante conversão.
Um exemplo de chamado que soube testemunhar de maneira particular o amor de Deus é Maria, a Mãe de Jesus. Na dinâmica do chamado de Deus, Maria soube livremente e sem medo entregar sua vida com grande alegria.
O chamado de Cristo tem prioridade. Nenhum interesse humano deve estar acima de Deus. Por isso Jesus diz: “todo aquele que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo”.
Jesus mesmo deixou os seus discípulos encarregados para a edificação da Igreja:“Ide, pois, fazei discípulos meus entre todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19) e assegurou que estará com eles todos os dias, até o fim do mundo. Assim, a Igreja torna-se missionária e evangelizadora, mas, para que essa missão profética se concretize, ela necessita da colaboração de muitos.
Deixando seus padres em meio ao mundo, Jesus declarou que queria fazer deles seus mensageiros e representantes. O padre é, portanto, chamado a ser – mais do que qualquer outro cristão – testemunha da Ressurreição de Cristo. Para sentirmos um pouco da responsabilidade de ser padre pensemos na seguinte frase: Maria trouxe na Terra o Filho de Deus uma vez na História, o padre traz Cristo todos os dias na Santa Missa.
Se, graças aos sacramentos do Batismo e da Crisma, cada cristão é chamado a testemunhar e a anunciar o Evangelho, essa dimensão missionária da Igreja se torna especialmente ligada à vocação sacerdotal.
Antes de tudo, o sacerdote foi escolhido diretamente por Deus, do meio do povo, e Cristo vem nos comprovar isto: “Não fostes vós que me escolhestes; fui eu quem vos escolhi” (Jo 15,16). O sacerdote é chamado a colaborar com a obra da construção do Reino de Deus, apresentada por Cristo. Para isso, o padre deve fazer fielmente o papel de Cristo, estudando-O, copiando-O e imitando-O; essa é a principal tarefa de um sacerdote. O padre é aquele que fala a Deus sobre os homens e fala aos homens sobre Deus; que não tem medo de servir à Igreja como ela quer ser servida; e que vive com alegria o dom recebido pelo Sacramento da Ordem.
Não é suficiente para o padre e nem para o povo de Deus ter o crucifixo sobre a mesa ou na cabeceira da cama se não o tivermos no coração, nos lábios, na consciência e na vida.
Corresponder ao chamado de Cristo supõe enfrentar desafios com prudência e simplicidade e, até mesmo, perseguições. Os sacerdotes não ficam sós para anunciar o Reino dos Céus, mas é o mesmo Jesus que os acompanha: “Quem vos acolhe, a mim acolhe; e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou”.
O que fortaleceu os discípulos e continua fortalecendo os sacerdotes hoje em dia é sempre o amor de Cristo. E é, sem dúvida, esse amor que fará com que o sacerdote se doe inteiramente ao anúncio da palavra de Deus, à administração dos sacramentos, ao serviço dos doentes, dos sofredores, dos pobres, dos que passam por momentos difíceis, enfim, daqueles que necessitam de conforto para seu corpo e alma.
O padre é o homem da Eucaristia e é dela que ele tira forças e coragem para proclamar o Reino de Deus em meio ao mundo. A espiritualidade do padre deve ser muito grande para enfrentar todas as dificuldades surgidas. É neste ponto que o povo de Deus deve, com fervor, rezar pelos padres para que eles possam, a cada dia mais, estar fortificados com as graças de Cristo.
Todo sacerdote deve ensinar e ser testemunha da Verdade de Cristo no meio do mundo, pastoreando e animando a comunidade. Deve também favorecer as pessoas na busca da intimidade com Deus e, é claro, não pode faltar o exercício da caridade.
Enfim, o sacerdote é o espelho de Cristo no mundo e, ao cumprir sua vocação, se sente plenamente realizado, pois a segurança de nossa felicidade está em cumprir a vontade de Deus e aquilo que Ele sonhou para nós.

fonte:http://pastoralvocacionalamparo.blogspot.com.br/
Texto - Seminarista Rafael Spagire Giron